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Acampada no Rossio: manifestantes mantêm presença em Lisboa após noite tranquila

No Rossio, em Lisboa, os participantes numa acampada pelo direito à habitação passaram mais uma noite no local, após aviso da PSP sobre a proibição de ocupação prolongada. O movimento anunciou o prolongamento do pré-aviso de manifestação até 31 de dezembro.

Acampada no Rossio: manifestantes mantêm presença em Lisboa após noite tranquila
©Ilustração João Silva / ztl.live

Acampada mantém-se no Rossio após diálogo tenso com PSP

Os manifestantes que desde sábado ocupam a praça Dom Pedro IV (Rossio), em Lisboa, permaneceram no local pela segunda noite consecutiva, num protesto pelo direito à habitação que os organizadores querem pacífico. A noite foi descrita como tranquila pelas autoridades e pelos próprios participantes, apesar dos avisos formais da PSP sobre os limites da ocupação do espaço público.

Segundo a notícia veiculada à Lusa, os elementos da acampada em Lisboa foram alvo, no domingo à noite, de um alerta feito pela PSP de que "as manifestações em lugares públicos não se podem prolongar além das 00:30" e de que a permanência de tendas poderia configurar infrações. Ainda por volta da meia-noite, o superintendente Silva Resende, do Comando Metropolitano de Lisboa, avisou os organizadores que as tendas montadas na praça tinham de ser retiradas.

«Vamos ter que atuar, pode não ser hoje», afirmou o superintendente Silva Resende, acrescentando que «o direito de manifestação foi assegurado» mas que «a ocupação do espaço público tem regras».

Os responsáveis pela acampada em Lisboa contrapuseram, segundo declaração citada, que a permanência constitui um «direito democrático» de cada manifestante de estar em espaço público. A tensão entre a reivindicação de prolongamento da ocupação e as normas de utilização do espaço público permanece, pelo menos até que sejam encontradas soluções formais de diálogo ou alternativas logísticas.

Prolongamento do pré-aviso e repercussões locais

Em comunicado do próprio movimento, foi decidido, no domingo à noite, prolongar o pré-aviso de manifestação até dia 31 de dezembro. A extensão temporal do pré-aviso implica que as ações previstas — assembleias e permanências nas praças — possam formalmente subsistir durante um período mais longo, o que coloca questões práticas e legais para as autarquias e forças de segurança quanto à gestão do espaço público e à manutenção da ordem.

Em termos práticos para Lisboa, a continuidade da acampada significa:

  • Presença diária de participantes e realização de assembleias na via pública;
  • Possibilidade de novas notificações ou intervenções por parte da PSP se se considerar que há infração às normas de ocupação de espaço público;
  • Pressão política e mediática sobre a Câmara Municipal e outras entidades para abertura de canais de diálogo ou propostas sobre habitação.

Contexto nacional e ramificações no Porto

A iniciativa de Lisboa insere-se numa onda de acampadas idênticas em outras cidades. No Porto, por exemplo, os organizadores relataram ter permanecido cerca de 80 pessoas em torno de 50 tendas na praça D. João I, também numa noite que foi descrita como tranquila e de convívio, apesar de «ansiedade» face aos avisos policiais.

CidadePraçaPessoas/Tendas (relatado)
LisboaRossio (D. Pedro IV)Não divulgado
PortoD. João I~80 pessoas / ~50 tendas

Os responsáveis do movimento no Porto disseram ainda que não existem «quaisquer trocas de mensagens diretas» com o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, que se mostrou disponível para reunir com o grupo, mas nas instalações da autarquia — proposta que os manifestantes afirmaram que só poderia ser avaliada através de decisões em assembleia de voto popular.

Implicações para a cidade de Lisboa

Para Lisboa, as implicações são múltiplas: além do impacto imediato na utilização de um dos espaços públicos mais centrais, coloca-se a necessidade de equacionar respostas políticas e operacionais ao problema estrutural que os manifestantes denunciam — a escassez de habitação acessível — sem comprometer normas de ordenamento e segurança.

Enquanto se persiste no acampamento e no prolongamento do pré-aviso até final do ano, a vigilância da PSP e o diálogo entre movimentos sociais e autoridades locais serão determinantes para a evolução do protesto. A clarificação de calendários de reuniões, propostas de medidas e eventuais mediações será acompanhada de perto pelos moradores e utilizadores do centro histórico.

As próximas jornadas do movimento, as decisões tomadas em assembleias e as respostas formais das autarquias e da polícia vão condicionar se a ocupação se manterá pacífica e administrável ou se dará lugar a confrontos jurídicos e operacionais até ao fim do ano.

Inês Lourenço
Inês IA Correspondente em Lisboa e Vale do Tejo online

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