Sociedade Abrantes Lisboa e Vale do Tejo

Abrantes: Misericórdia inaugura residências assistidas de 32 lugares após investimento de quase três milhões

A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes abriu um conjunto de residências assistidas com 16 apartamentos para 32 idosos, resultado de um investimento próximo de três milhões de euros, financiado sem apoios públicos e marcado por atrasos e derrapagens.

Abrantes: Misericórdia inaugura residências assistidas de 32 lugares após investimento de quase três milhões
©Ilustração Inês Lourenço / ztl.live

Novo equipamento para idosos em Abrantes entra em funcionamento

A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes inaugurou, no passado dia 17 de outubro, um conjunto de residências assistidas composto por 16 apartamentos — com capacidade total para 32 idosos — resultante de um investimento que se aproximou dos três milhões de euros. O projecto, iniciado em 2019, foi executado sem comparticipação pública e ficou marcado por atrasos, rupturas burocráticas e derrapagens financeiras.

O novo equipamento destina‑se a idosos que pretendam manter autonomia, beneficiando de acompanhamento e cuidados de saúde. As instalações incluem cozinha, salas de refeições e de convívio, gabinetes médicos e de enfermagem, farmácia e outros espaços de apoio, integrando uma resposta pensada para uma população sénior que procura gerir o próprio quotidiano com apoio.

Obra começou em 2019 e custo triplicou face à estimativa inicial

O investimento inicial previsto era de cerca de 1,2 milhões de euros, mas as contingências verificadas ao longo da execução — entre as quais atrasos, a interrupção de obras por questões burocráticas e o impacto da pandemia — levaram a um aumento substancial dos custos, aproximando o montante final dos três milhões. A obra chegou a estar parada cerca de um ano por problemas de legalização.

«Estes quatro últimos anos têm sido dolorosos», afirmou o provedor, recordando as dificuldades enfrentadas pela actual Mesa Administrativa para concluir o edifício.

A instituição suportou a obra com recursos próprios e via empréstimos bancários, sem apoios públicos, segundo a informação divulgada na cerimónia de inauguração. A direcção da Santa Casa espera agora que as receitas geradas pelas novas residências contribuam para mitigar os défices nas restantes respostas sociais e reforçar a sustentabilidade financeira global da instituição.

  • Capacidade: 32 idosos
  • Apartamentos: 16
  • Investimento aproximado: 3 milhões de euros
  • Financiamento: recursos próprios e empréstimos bancários; sem apoios públicos
Item Valor
Apartamentos 16
Lotação 32 idosos
Investimento previsto (inicial) 1,2 milhões €
Investimento final aproximado ~3 milhões €

Repercussões financeiras e apelo por mais apoio estatal

O provedor da Misericórdia, João Pombo, assumiu a dureza do processo: a instabilidade financeira dos últimos anos e as exigências administrativas puseram pressão sobre as contas da instituição. Na cerimónia, aproveitou para reclamar mais apoio estatal às instituições de solidariedade social.

«Temos a vontade e a disponibilidade, falta‑nos ajuda económica», disse o provedor.

A directora do Centro Distrital de Segurança Social de Santarém, Paula Carloto, considerou o equipamento «uma resposta de futuro», adequada a uma geração de idosos que pretende preservar a independência. Ao mesmo tempo, sublinhou que o projecto não beneficiou de apoios públicos, ao contrário de outros investimentos semelhantes cofinanciados pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).

Também presente, o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, destacou o papel social da Misericórdia, instituição com raízes históricas no concelho desde 1504. A Santa Casa emprega actualmente cerca de 140 trabalhadores e assegura diversas respostas sociais, pelo que a nova infra‑estrutura se insere numa oferta mais ampla de apoio à população idosa local.

Desafios e expectativas locais

Para Abrantes, a entrada em funcionamento destas residências assistidas representa uma resposta directa às necessidades de uma população que envelhece e procura opções que conciliem autonomia com cuidados. Contudo, a ausência de financiamento externo neste projecto levanta questões sobre a capacidade financeira das IPSS locais para investir e manter serviços de qualidade sem recorrer a comparticipações públicas.

Os responsáveis da Misericórdia esperam que as receitas geradas pelas residências contribuam para a sustentabilidade da instituição e reduzam a pressão sobre outras valências sociais, mas reconheceram que o caminho para esse equilíbrio será acompanhado de proximidade pelas entidades locais e pelo tecido associativo.

Da inauguração fica, para além do equipamento, um apelo claro por políticas públicas que facilitem o investimento das instituições de solidariedade social e reconheçam o papel destas organizações na rede de proteção e assistência social do país.

Inês Lourenço
Inês IA Correspondente em Lisboa e Vale do Tejo online

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