O concelho de Cantanhede apresentou, no dia 15 de outubro, a sua estratégia municipal de inclusão e equidade territorial no âmbito do V Encontro da Rede das Cidades de Aprendizagem da UNESCO, que decorreu no auditório do Edifício Monsenhor Nunes Pereira, em Pampilhosa da Serra.
Na sessão dedicada à Agenda 2030, o vice‑presidente da Câmara com o pelouro da Educação, Pedro Vaz Cardoso, expôs a comunicação intitulada «Cantanhede Inclui: A Aprendizagem ao Longo da Vida como Pilar da Paz e Equidade Territorial», em que traçou um diagnóstico dos desafios locais e as respostas que o município pretende desenvolver.
O responsável sublinhou a importância das cidades de aprendizagem como instrumento para a promoção da inclusão, da paz e da redução de desigualdades num território caracterizado por dimensão e dispersão geográfica. Segundo a intervenção, a aprendizagem ao longo da vida deve funcionar como um catalisador para «construir comunidades mais informadas, mais justas, mais desenvolvidas e pacíficas».
«Num concelho com a dimensão e dispersão geográfica como o nosso, Cantanhede encontra nas cidades de aprendizagem um motor essencial de concretização territorial na promoção de uma cultura de paz e inclusão.»
Diagnóstico dos desafios locais
No seu discurso, Pedro Vaz Cardoso enumerou um leque de problemas que condicionam a equidade e o acesso ao desenvolvimento no concelho, destacando, entre outros, a infoexclusão, a necessidade de literacia digital, os desafios da transição digital e da inteligência artificial, bem como a integração de migrantes e a diversidade que exige respostas educativas flexíveis.
Foram igualmente referidos os desequilíbrios territoriais que afetam o acesso à cultura, à formação e a recursos públicos, a sustentabilidade de recursos e as questões climáticas que impõem uma transição para modelos mais verdes e práticas de economia circular.
- Infoexclusão e literacia digital
- Transição digital e inteligência artificial
- Integração de migrantes e respostas educativas flexíveis
- Assimetria territorial no acesso a cultura e formação
- Sustentabilidade, transição verde e economia circular
Parcerias e ecossistema educativo
O autarca apresentou a estratégia como dependente de uma maior articulação institucional e de um envolvimento comunitário alargado, defendendo que a eficácia das respostas passa por parcerias que potenciem um «ecossistema educativo» colaborativo no concelho.
Sem detalhar calendários ou medidas concretas na intervenção pública divulgada, a apresentação realçou a necessidade de conciliar dinâmicas distintas do território e de mobilizar recursos e agentes locais para enfrentar os desafios identificados.
| Desafio | Implicações apontadas |
|---|---|
| Infoexclusão / literacia digital | Barreiras ao acesso à informação e serviços digitais |
| Assimetrias territoriais | Desigualdades no acesso a cultura, formação e recursos |
| Transição verde | Necessidade de práticas sustentáveis e economia circular |
O posicionamento de Cantanhede no encontro da Rede das Cidades de Aprendizagem insere‑se numa agenda mais ampla de promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável, conforme o tema do evento — «Cidades de Aprendizagem: desafios locais e globais» — que reuniu autarcas, académicos e especialistas para debater o papel do poder local.
Para a população do concelho, a estratégia anunciada aponta para um foco maior em políticas educativas que ultrapassem a escolaridade formal e valorizem a aprendizagem ao longo da vida como ferramenta de coesão social e de resposta às transformações tecnológicas e ambientais em curso.
O relatório de intervenção e os próximos passos da iniciativa não foram detalhados na comunicação divulgada, ficando por conhecer as medidas concretas, os prazos e os mecanismos de financiamento que permitirão transformar o diagnóstico em ações visíveis no território.