O governo dos Estados Unidos ordenou que as agências civis federais deixem de utilizar ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas pela empresa chinesa DeepSeek e também as aplicações de terceiros construídas com essa tecnologia, anunciou o Departamento de Segurança Interna (DHS) num comunicado público.
A medida obriga à remoção imediata dos produtos e aplicações baseadas na IA da DeepSeek dos dispositivos de computação das instituições afectadas. O aviso do DHS cita preocupações sobre vetores de ataque múltiplos associados aos modelos da empresa, sem, contudo, estender a directiva às forças armadas ou aos serviços de informação, sobre os quais o departamento não tem competência.
«Os modelos da DeepSeek apresentam múltiplos vetores de ameaça»
Contexto e alcance da proibição
A proibição do DHS surge num momento de crescente tensão tecnológica entre Washington e Pequim, em que ambas as potências competem pela liderança nas plataformas de inteligência artificial. A DeepSeek ganhou notoriedade em janeiro de 2025, quando lançou um chatbot de baixo custo e elevado desempenho que abalou o mercado e desafiou concorrentes norte-americanos.
Segundo o comunicado, a autoridade pode emitir directrizes formais para todas as agências civis federais, determinando prazos e procedimentos para a remoção das aplicações e a mitigação de riscos. O Departamento de Defesa, contactado para comentar a restrição ao equipamento civil, não respondeu imediata ou publicamente aos pedidos de esclarecimento feitos à agência de notícias que divulgou a notícia.
Riscos apontados e implicações práticas
O documento anexo ao comunicado do DHS refere que os modelos da DeepSeek «apresentam múltiplos vetores de ameaça», uma formulação que abrange preocupações habituais em termos de segurança cibernética e integridade de dados, como fugas de informação, manipulação de outputs e possíveis ligações a infraestruturas ou operadores externos. O texto oficial não especifica incidentes concretos que tenham precipitado a decisão, nem detalha vulnerabilidades técnicas particulares.
- Alvo imediato: agências civis federais dos EUA.
- Exclusões: forças armadas e serviços de inteligência não estão abrangidos pelo âmbito directo da medida.
- Medida técnica: remoção obrigatória de produtos e ferramentas desenvolvidas pela DeepSeek ou por terceiros com base nessa IA.
Para além do impacto operacional nas agências que já integrarama ferramentas da DeepSeek nos seus fluxos de trabalho, a decisão tem um significado político e económico: pode condicionar contratos públicos, prejudicar fornecimentos de tecnologia e intensificar escrutínio regulatório sobre fornecedores estrangeiros de IA.
Repercussões no ecossistema tecnológico
O veto coloca mais um capítulo na crescente lista de medidas adoptadas por governos ocidentais para conter riscos percebidos associados a fornecedores tecnológicos estrangeiros. Além dos efeitos imediatos nas instituições públicas, a medida poderá levar empresas privadas a reavaliar o uso de modelos da DeepSeek em produtos comercializados nos EUA e a reforçar políticas internas de segurança e compliance.
Especialistas e observadores do sector têm vindo a alertar para a necessidade de quadros regulatórios que equilibrem inovação e segurança — incluindo auditorias de modelos, requisitos de transparência e regras sobre transferências de dados —, mas o comunicado do DHS foca-se, para já, na acção imediata de mitigação em organismos governamentais.
| Actor | Medida |
|---|---|
| Departamento de Segurança Interna (DHS) | Proibição de uso e ordenação de remoção de produtos DeepSeek nas agências civis |
| Forças armadas e serviços de inteligência | Não abrangidos pela directiva do DHS |
| Departamento de Defesa (DoD) | Sem resposta pública ao pedido de comentário |
A decisão sublinha a pressão sobre fornecedores de tecnologia capazes de oferecer soluções de IA avançadas a baixo custo, um factor que tem vindo a alterar rapidamente a dinâmica de mercado desde o aparecimento de alternativas chinesas de desempenho competitivo. Para os responsáveis pela adopção de tecnologia em instituições públicas, a nova directiva traz desafios práticos imediatos, desde a identificação de implementações até à substituição por alternativas consideradas seguras.
Do ponto de vista dos utilizadores e do sector empresarial, resta acompanhar futuras orientações do DHS sobre prazos e procedimentos, bem como declarações de outras agências federais que possam alargar ou especificar o âmbito da medida.