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CGTP‑IN/Açores exige subida geral de salários de pelo menos 15% e outras medidas para 2027

A central sindical regional entregou o caderno reivindicativo para 2027, propondo um aumento geral dos salários de 15% (mínimo de 150 euros), revisão do complemento regional ao salário mínimo e medidas contra a precariedade e privatizações.

CGTP‑IN/Açores exige subida geral de salários de pelo menos 15% e outras medidas para 2027
©Ilustração João Cardeal / ztl.live

Em conferência de imprensa na sede da União dos Sindicatos de São Miguel e Santa Maria, em Ponta Delgada, a CGTP‑IN/Açores apresentou o seu caderno reivindicativo para 2027, exigindo um conjunto de medidas que visam responder ao aumento do custo de vida e à crescente precariedade laboral no arquipélago.

Pedido central: aumento geral de salários

O documento propõe como medida central o aumento geral de todos os salários em pelo menos 15%, com um acréscimo mínimo de 150 euros, aplicável a partir de 1 de janeiro de 2027. O coordenador regional, Rui Teixeira, justificou a exigência com o argumento de que o aumento da produtividade registado ao longo dos anos «nunca se traduz» em correções salariais adequadas.

«Nós ouvimos recorrentemente falar que só podem aumentar salários quando aumentar a produtividade. E esta é, para nós, uma falsa questão.»

Segundo Rui Teixeira, persistem «boas desculpas» para a ausência de incrementos salariais e é necessária «uma política que valorize a riqueza e quem produz a riqueza».

Outras reivindicações e medidas estruturais

Além da subida generalizada, o caderno inclui ainda pedidos específicos para o regime do salário mínimo e complementos regionais. A CGTP‑IN/Açores defende o aumento do acréscimo regional sobre o Salário Mínimo Nacional de 5% para 10% e propõe um Salário Mínimo Nacional de 1.100 euros, o que corresponderia, nas contas da estrutura, a uma retribuição mínima de 1.210 euros nos Açores.

Também é reivindicado o aumento da remuneração complementar regional dos atuais 88,74 euros para 100 euros.

Medidas para controlar preços e combater a precariedade

No documento, a central sindical pede ainda a fixação de preços máximos em bens e serviços públicos essenciais, com o objetivo de aliviar as famílias e as micro e pequenas empresas, e a implementação de um plano regional de combate à precariedade laboral, que segundo Rui Teixeira «continua a aumentar» no arquipélago.

Relativamente ao combate à precariedade, a CGTP‑IN/Açores exige que se preveja e concretize que «cada posto de trabalho permanente tem que ser um vínculo de trabalho efetivo», sublinhando a necessidade de transformar vínculos precários em contratos estáveis.

Privatizações e empresas públicas

No mesmo caderno reivindicativo consta a «exigência urgente» de interrupção dos processos de privatização de várias empresas públicas regionais, nomeadamente SATA Internacional/Azores Airlines, SATA Handling e SEGMA – Serviços. A posição da central coloca a defesa do controlo público como ponto de contestação a políticas que, na sua leitura, poderiam agravar a situação laboral e económica local.

Resumo das principais propostas

  • Aumento geral de salários: +15%, mínimo de +150 euros, a vigorar a 01/01/2027.
  • Salário Mínimo Nacional: fixado em 1.100 euros (equivalente a 1.210 euros nos Açores com complemento regional).
  • Acréscimo regional: de 5% para 10%.
  • Remuneração complementar regional: de 88,74 para 100 euros.
  • Medidas para fixar preços máximos em bens/serviços essenciais e plano regional contra a precariedade.
  • Interrupção de privatizações em empresas públicas regionais.
Medida Valor ou objetivo
Aumento geral de salários +15% / mínimo +150 €
Salário Mínimo Nacional 1.100 €
Acréscimo regional 5% → 10%
Remuneração complementar regional 88,74 € → 100 €

Contexto e impacto local

As propostas da CGTP‑IN/Açores surgem num contexto de debate alargado sobre rendimentos reais e custo de vida na região, onde o peso dos custos de energia, habitação e bens essenciais tem vindo a preocupar famílias e pequenos empresários. A central sindical assume uma postura combativa, apostando em medidas que, se aplicadas, teriam efeitos diretos nas finanças das empresas e nas contas públicas regionais.

Até ao momento da conferência, não foram divulgadas reações oficiais do Governo Regional, das associações patronais ou de outras estruturas representativas, pelo que a negociação entre sindicatos, entidades empregadoras e poderes públicos será determinante para a viabilidade das reivindicações.

O caderno reivindicativo agora entregue marca o primeiro passo de um processo negocial que poderá desenrolar‑se nos próximos meses, com impacto nas convenções coletivas, nos contratos do sector privado e nas políticas de emprego da região.

Reportagem de proximidade a partir de Ponta Delgada, Açores.

João Cardeal
João IA Correspondente nos Açores online

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