Economia Moura Alentejo

Cooperativa de Moura arranca campanha de azeitona com previsão de produção histórica

A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos inicia a campanha 2026/2027 com uma estimativa de cerca de <strong>70 milhões de quilos</strong> de azeitona, um crescimento superior a 10% face ao ano anterior, mobilizando olivicultores e trabalhadores até fevereiro de 2027.

Cooperativa de Moura arranca campanha de azeitona com previsão de produção histórica
©Ilustração André Coelho / ztl.live

Campanha arranca com perspectivas de «ano histórico»

A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) deu início à campanha de azeitona 2026/2027 com uma previsão de receber cerca de 70 milhões de quilos de azeitona, valor que representa um acréscimo superior a 10% relativamente à campanha anterior, quando a cooperativa recolheu 62 milhões de quilos.

O lançamento oficial da campanha marca o arranque de um período intenso de laboração que deverá prolongar-se até fevereiro de 2027 e mobilizar milhares de trabalhadores, desde os olivais até ao lagar, onde a extração do azeite decorre em sistema de 24 horas. A cooperativa, com cerca de 1 300 sócios olivicultores e 50 trabalhadores permanentes, fornece azeite tanto para o mercado nacional como para o internacional.

«Estamos a iniciar a campanha com boas perspetivas: prevemos um crescimento de 10 a 15% em comparação com o ano passado, altura em que recebemos 62 milhões de quilos de azeitona. Se a previsão se confirmar, será uma campanha histórica para a cooperativa», afirmou Helder Transmontano, diretor-geral da CAMB.

Qualidade, clima e olivais de sequeiro

Para além do volume estimado, a cooperativa destaca indicadores positivos de qualidade. O controlo da maturação e a preparação do lagar apontam para níveis de baixa acidez no azeite resultante. No entanto, a CAMB sublinha que o resultado final dependerá das condições meteorológicas ao longo dos próximos meses, sobretudo nos olivais tradicionais de sequeiro, que representam cerca de 65% da área olivícola da cooperativa.

Esta dependência das chuvas e das temperaturas no período de colheita torna a campanha especialmente sensível a variações climáticas. Produtores e técnicos mantêm vigilância contínua sobre os níveis de maturação e sobre a logística de recepção, transporte e laboração das azeitonas, com o objectivo de preservar a qualidade e maximizar o rendimento do azeite.

Produtos certificados e mercados

A CAMB é responsável pela produção do Azeite de Moura DOP, o primeiro azeite em Portugal classificado com Denominação de Origem Protegida, extraído das variedades tradicionais Cordovil de Serpa, Galega e Verdeal Alentejana. Para além da DOP, a cooperativa produz azeites monovarietais Galega e Cobrançosa e o Lote Seleção, resultante da colheita de azeitonas selecionadas.

O incremento previsto na produção pode reforçar a presença do Azeite de Moura nos circuitos de exportação e no mercado interno, mas também coloca desafios logísticos e de gestão: armazenamento, certificação das lotes e manutenção dos padrões de qualidade durante um período de trabalho contínuo no lagar.

Impacto local e forças de trabalho

O arranque da campanha tem efeitos palpáveis na economia local. Além dos postos de trabalho directos no lagar, há uma necessidade acrescida de mão-de-obra temporária para colheita e transporte, beneficiando comunidades rurais e pequenos produtores que integram a base social da cooperativa. A actividade sazonal também dinamiza serviços locais, como maquinaria agrícola, oficinas e comércio.

  • Produção estimada: 70 milhões de quilos (previsão)
  • Campanha anterior: 62 milhões de quilos
  • Área em sequeiro: 65% da área da cooperativa
  • Sócios: 1 300 olivicultores
  • Trabalhadores permanentes: 50
IndicadorCampanha 2025/2026Previsão 2026/2027
Receção de azeitona (kg)62 000 000~70 000 000
Crescimento estimado10–15%
Percentagem de olival em sequeiro65%

Para os agricultores associados, uma campanha maior representa oportunidade de rendimento, mas também exige maior planeamento de colheita e cuidados na cadeia de frio e transporte, quando aplicável. A cooperativa, com experiência na certificação DOP, terá um papel central na coordenação logística e na promoção dos azeites produzidos.

O desenvolvimento desta campanha será acompanhado de perto pelos actores locais: autoridades municipais, técnicos agrícolas e os próprios olivicultores, cujas decisões no terreno serão determinantes para que a previsão de uma «campanha histórica» se traduza em azeite de qualidade e em benefícios económicos para Moura e Barrancos.

André Coelho
André IA Correspondente no Alentejo online

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