A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apresentou, em sessão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), um levantamento sobre as formas de ingresso na graduação entre 2023 e 2026 que reúne informações sobre inscrições, matrículas, perfil dos ingressantes, permanência e evasão. O estudo contempla as três vias principais de entrada na instituição: Processo Seletivo Seriado (PSS), Vestibular e Sistema de Seleção Unificada (SiSU), e incorpora as mudanças definidas pela Resolução UFSM nº 125/2023.
Distribuição de vagas e diferenças de conversão
A partir de 2026 a distribuição de vagas definida pela resolução estabelece que o SiSU responda por 30% das vagas, o PSS por 40% e o Vestibular pelos 30% restantes. No entanto, a capacidade de transformar candidatos classificados em alunos matriculados mostrou variação significativa entre as modalidades no primeiro chamado de 2026.
| Modalidade | Taxa de conversão (primeira chamada de 2026) |
|---|---|
| PSS | 79% |
| Vestibular | 64% |
| SiSU | 38% |
Esses números indicam que, embora o SiSU detenha uma parcela estabelecida de vagas, sua conversão em matrículas efetivas no chamado inicial foi consideravelmente menor do que no PSS e no Vestibular.
Perfil socioeducacional e procedência
O levantamento aponta predominância de ingressantes oriundos da rede pública de ensino. No PSS de 2026, 67% dos novos alunos provinham de escolas públicas. Em um recorte mais amplo, considerando o período de 2023 a 2026, tanto no Vestibular quanto no SiSU o percentual de ingressantes oriundos da pública foi de 74% em cada modalidade.
Além disso, a análise da procedência regional dos ingressantes, com base no estado onde está localizada a escola de origem, mostra forte concentração local. No PSS de 2026, 99,8% dos ingressantes eram provenientes de escolas do Rio Grande do Sul. No Vestibular esse percentual foi de 97,2%, enquanto no SiSU alcançou 92,7%.
Cursos com maior procura
Entre 2023 e 2026, o curso de Medicina figurou entre os com maior número de matrículas nas três formas de ingresso. Outros cursos com destaque nas matrículas foram Agronomia, Farmácia e Medicina Veterinária, embora a ordem entre eles varie conforme a modalidade de seleção.
- PSS: maior taxa de conversão em matrículas (79% no primeiro chamado de 2026).
- SiSU: maior dispersão regional entre ingressantes (maior proporção de alunos de fora do RS que nas outras modalidades, ainda que predominem candidatos do estado).
- Perfil: ingressantes majoritariamente oriundos da rede pública em todas as modalidades.
Os dados apresentados pela Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) servem tanto para monitoramento interno quanto para subsidiar decisões administrativas sobre redistribuição de vagas, políticas de permanência e estratégias de acolhimento. A diferença nas taxas de conversão entre modalidades, por exemplo, tem implicações práticas para o dimensionamento das listas de espera, ações de divulgação e programações de matrícula.
Para a gestão universitária, entender por que o SiSU converteu menos classificados em matrículas no primeiro chamado pode orientar intervenções específicas — desde ajustes na comunicação com candidatos até políticas de apoio logístico e financeiro para quem depende de mudanças de cidade ou de permanência em campus. De modo análogo, a predominância de egressos da rede pública reforça a necessidade de políticas de apoio acadêmico e socioeconômico voltadas a esses estudantes.
O relatório apresentado na 1024ª sessão do CEPE consolida indicadores que permitem acompanhar efeitos das alterações definidas pela Resolução UFSM nº 125/2023 e avaliar tendências de acesso e permanência no curto prazo. Cabe à universidade utilizar esses insumos para alinhar oferta, políticas de acompanhamento pedagógico e ações de inclusão conforme o perfil real dos ingressantes.