A 16ª Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul (FETEC MS 2026), realizada no ginásio Moreninho da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), reúne até esta terça-feira 450 projetos de estudantes da educação básica, provenientes de 45 municípios do estado. A mostra integra o programa Integra UFMS e se posiciona hoje como a terceira maior feira do país voltada para esse nível de ensino.
Escala, objetivos e organização
Criada em 2011 com 98 trabalhos de 10 cidades, a FETEC MS cresceu para uma amplitude que mobiliza avaliadores de universidades de outros estados e conta com apoio de ex-participantes universitários. A organização enfatiza a formação cidadã e o protagonismo estudantil por meio do método científico, com propostas que transitam entre pesquisa, invenção e aplicações tecnológicas.
"Nós não estamos procurando gênios, estamos procurando jovens e crianças que querem sonhar e viver melhor com suas ideias", afirmou o coordenador e criador da feira, Ivo Leite Filho.
Projetos em destaque: IA, gamificação e saúde
Entre os trabalhos expostos, há propostas que combinam fabricação digital, programação e inteligência artificial. Um exemplo é o protótipo "Bomb Smart", desenvolvido por Eloisa Amaral Dias de Souza, aluna do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) de Campo Grande. O dispositivo transforma a sala de aula em um jogo do tipo Escape Room, usando gamificação para estimular engajamento, raciocínio lógico e colaboração entre estudantes.
O projeto de Eloisa incorpora conceitos de Engenharia 5.0, impressão 3D e programação em Arduino. Para estruturar o software, a aluna contou com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, integrando sensores, temporização e efeitos sensoriais capazes de simular pressão psicológica controlada com fins pedagógicos.
Diversidade temática e aprendizagens
A feira expõe trabalhos em áreas diversas, dentre elas tecnologias aplicadas à educação, saúde, biologia e engenharia. Os projetos demonstram tanto competências técnicas — como prototipagem e programação — quanto o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como trabalho em equipe e resolução de problemas.
- 450 projetos apresentados
- 45 municípios representados
- 16ª edição da feira
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Projetos | 450 |
| Municípios participantes | 45 |
| Edição | 16ª |
Impactos e perspectivas
Organizadores destacam que o ambiente de avaliação e troca com universidades amplia trajetórias acadêmicas e profissionais dos estudantes, além de fomentar redes de colaboração entre escolas e instituições de ensino superior. A presença de projetos que utilizam inteligência artificial e fabricação digital aponta para uma adoção crescente de tecnologias avançadas na educação básica, com potencial para transformar metodologias de ensino e práticas pedagógicas.
Ao mesmo tempo, a feira funciona como um termômetro das preocupações locais em ciência e tecnologia: as soluções apresentadas refletem demandas por maior engajamento em sala de aula, metodologias ativas e alternativas para promoção da saúde e bem-estar. A participação massiva e a diversificação dos temas indicam que iniciativas educacionais baseadas em projetos seguem ganhando espaço como ferramentas de formação científica e tecnológica no país.
Além das exposições, a FETEC MS envolve avaliadores externos e estudantes universitários que atuam como mentores, reforçando o caráter formativo do evento. Esse arranjo favorece a transição entre educação básica e superior e alimenta um ecossistema local de inovação que pode ter repercussões em políticas públicas e práticas escolares regionais.
Em um cenário em que o ensino de ciência busca novas formas de atrair e reter estudantes, a feira da UFMS serve tanto como palco de experimentação quanto como laboratório social para testar como recursos como a inteligência artificial e a fabricação digital podem ser adaptados ao contexto escolar.