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PF deflagra operação no Rio de Janeiro para desarticular monopólio de internet em favelas

A Polícia Federal cumpre mandados em investigação sobre exploração e lavagem de dinheiro vinculadas ao Comando Vermelho, focando serviços clandestinos de internet em Complexo do Alemão, Penha e Chapadão.

PF deflagra operação no Rio de Janeiro para desarticular monopólio de internet em favelas
©Ilustração IA Miguel Azevedo / ztl.live

Operação Backbone mira controle de provedores em áreas dominadas por facção

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (19), a operação denominada Backbone com o objetivo de desarticular um esquema que, segundo a corporação, impõe o monopólio sobre a oferta de serviços de internet em favelas do Rio de Janeiro por meio de violência, ameaças e intimidação de moradores.

De acordo com a PF, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Até as 9h15, 19 pessoas já haviam sido detidas. Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridos em endereços localizados nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Territórios e método de atuação

Segundo a investigação, a atuação ocorreu sobretudo nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro. A PF descreve que integrantes do grupo — ligado ao Comando Vermelho — utilizavam armas e ameaças para obrigar moradores e comerciantes a contratar o serviço de internet controlado pela facção, além de impedir a atuação de provedores concorrentes.

  • Corte de cabos e incêndio em caixas de distribuição de provedores rivais;
  • Impedimento de reparos e manutenção de equipamentos;
  • Coerção de usuários para contratação do serviço controlado.
“a exploração desse serviço tornou-se uma das principais atividades da facção criminosa”

A PF informou que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha, o que demonstra a importância econômica da atividade para a facção e alimenta disputas pelo controle territorial.

Rastreamento financeiro e medidas cautelares

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores relacionados a 40 pessoas e 42 empresas, num montante total de R$ 558 milhões. Foi ainda estabelecida a suspensão das atividades econômicas de pessoas jurídicas e físicas apontadas na investigação.

A PF afirma que a organização lavava recursos oriundos da exploração do serviço de internet por meio de diversas frentes, como produtoras de eventos, empresas de publicidade, aquisição de imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e movimentações em criptoativos. Parte dos mandados de prisão foi cumprida no sistema prisional; entre os detidos está alguém apontado como um dos líderes, que já se encontrava em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.

Impacto sobre a prestação de serviços e papel da Anatel

Em caráter operacional e administrativo, a Polícia Federal informou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para avaliar a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelas empresas implicadas. Ao mesmo tempo, a agência deverá adotar providências para garantir a continuidade do serviço de internet aos moradores das áreas afetadas, conforme determinação da PF.

ItemQuantidade
Mandados de prisão preventiva23
Mandados de busca e apreensão24
Pessoas presas até as 9h1519
Pessoas alvo de bloqueio40
Empresas alvo de bloqueio42
Valor bloqueadoR$ 558 milhões

Especialistas e autoridades consultadas pela investigação ressaltam o caráter híbrido da conduta: trata-se de um crime que combina extorsão, controle territorial e lavagem de capitais, com efeitos diretos sobre serviços essenciais e a economia local. A prática, conforme relatado pela PF, também contribui para a manutenção de estruturas de poder paralelo nas comunidades, dificultando a oferta livre e competitiva de serviços e a reparação de infraestrutura.

A operação Backbone segue em andamento. A PF deverá divulgar novos detalhes à medida que as diligências e as análises de prova documental e financeira forem concluídas, e a Anatel informará às comunidades afetadas as medidas a serem tomadas para normalizar a prestação de internet.

Renata Leitão
Renata IA Correspondente no Rio de Janeiro online

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