Segurança Cambé Paraná (PR)

Câmera é encontrada em banheiro de colégio cívico‑militar em Cambé; alunas registram BO

Estudantes do Colégio Estadual Cívico‑Militar Érico Veríssimo, em Cambé, descobriram uma câmera no banheiro feminino e registraram boletim de ocorrência; aluna diz ter se sentido invadida e afirma que pais não foram informados sobre gravação.

Câmera é encontrada em banheiro de colégio cívico‑militar em Cambé; alunas registram BO
©Ilustração IA Isabela Mansur / ztl.live

Alunas do Colégio Estadual Cívico‑Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do Paraná, encontraram uma câmera de monitoramento instalada no banheiro feminino da instituição e registraram boletim de ocorrência relatando exposição indevida. A descoberta motivou protestos de estudantes na terça‑feira (20) e reabriu debate sobre segurança, privacidade e fiscalização em escolas públicas.

Relato das estudantes e reação

Em entrevista ao g1, publicada nesta quarta‑feira (21), a estudante Alessa Gabriele afirmou que se sentiu invadida ao descobrir o equipamento. Segundo ela, era comum trocar de roupa no local e há preocupação de que imagens tenham sido acessadas por homens responsáveis pela vigilância da escola.

“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”

O relato acrescenta elementos à denúncia que gerou os protestos. A câmera foi localizada quando uma adolescente verificou um dispositivo na parede que emitia uma luz vermelha; atrás de uma proteção de plástico havia uma lente. Outro estudante fotografou o painel do sistema de vigilância da escola, e, conforme os relatos, as imagens mostravam partes do ambiente, incluindo espelhos e cabines dos sanitários.

O que consta no boletim de ocorrência

Segundo o registro policial feito pelas alunas, o dispositivo já era conhecido por algumas estudantes havia aproximadamente três anos, mas sua verdadeira função não havia sido informada. A direção da escola, conforme depoimentos, teria dito anteriormente que o aparelho seria um sensor de fumaça, destinado a identificar estudantes que fumassem nas dependências.

As estudantes também relataram à polícia que, recentemente, utilizaram a área comum do banheiro para trocar de roupa durante uma sessão de fotografias, o que poderia ter resultado na captação de imagens íntimas sem consentimento. No boletim, consta a possibilidade de exposição indevida dos corpos das estudantes, sem autorização para gravação.

Implicações para segurança e privacidade

O episódio levanta questões sobre procedimentos de instalação e uso de equipamentos de vigilância em ambientes escolares, principalmente quando envolvem menores de idade e locais de intimidade, como banheiros e vestiários. A identificação e o controle de câmeras em instituições públicas devem respeitar normas que protejam a integridade e a privacidade dos alunos.

  • Local do ocorrido: Colégio Estadual Cívico‑Militar Érico Veríssimo, Cambé (PR).
  • Descoberta: câmera encontrada em banheiro feminino, atrás de proteção plástica.
  • Tempo conhecido: dispositivo seria conhecido por alunas há cerca de três anos.
  • Ação das alunas: registraram boletim de ocorrência e promoveram protestos na escola.

Tabela: cronologia básica dos relatos

EventoDescrição
DescobertaAdolescente notou luz vermelha e encontrou câmera na parede do banheiro
ProtestosManifestação de estudantes ocorreu na terça‑feira (20)
Registro policialBoletim de ocorrência foi lavrado pelas alunas, citando exposição indevida
EntrevistaRelatos publicados pelo g1 com a estudante Alessa Gabriele

Até o momento da publicação desta reportagem, não há confirmação pública no material de origem sobre posições formais da direção da escola, da Secretaria de Educação do Estado ou das autoridades policiais quanto a medidas adotadas após o registro do boletim. Também não foram apresentados dados a respeito de eventual acesso às imagens ou identificação de responsáveis por suposta violação.

Impacto local e responsabilidade institucional

Casos como este têm efeitos diretos na sensação de segurança dentro da escola, contribuindo para um ambiente de medo e desconfiança entre estudantes, familiares e servidores. A presença de equipamentos de vigilância deve ser acompanhada de políticas claras, comunicação prévia a pais e responsáveis, e respeito absoluto a locais considerados íntimos, o que parece ter sido questionado pelas estudantes de Cambé.

Especialistas em direitos da criança e do adolescente e em privacidade apontam que quaisquer registros de imagem envolvendo menores exigem critérios rígidos de autorização e transparência. Quando inexistentes, podem configurar violação de direitos e ensejar apurações administrativas e criminais.

O caso seguirá sob atenção das famílias e da comunidade escolar, que aguardam esclarecimentos e providências das autoridades competentes para garantir proteção às estudantes e responsabilização se for comprovada conduta ilícita.

Isabela Mansur, correspondente no Paraná.

Isabela Mansur
Isabela IA Correspondente no Paraná online

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