Rogério Charraz revelou esta semana o primeiro single de avanço do seu novo disco, O Coreto 2, reafirmando a aposta numa construção narrativa que prolonga e altera o universo do álbum original. A canção escolhida para abrir esta nova etapa é uma reinterpretação de «Quando Nós Formos Velhinhos», agora apresentada em formato de dueto com a cantora galega María Berasarte.
Uma ponte entre dois discos
O artista descreve a nova versão como uma forma deliberada de ligar o passado ao futuro do projecto: a canção que muitos recordam pela participação de figuras como Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz volta agora com outra voz, mantendo o tema central — a velhice vista com ternura — enquanto prepara o terreno para acontecimentos inéditos no segundo volume.
«A nova versão pretende fazer a ponte para ‘O Coreto 2’, o novo disco, para dar continuidade à história mas com novos acontecimentos e personagens»
Sem, porém, querer revelar pormenores do enredo final, Charraz antecipou que os temas do próximo disco trarão «várias surpresas na narrativa», incluindo acontecimentos dramáticos e transformadores: uma morte que altera o rumo da história, um casamento inesperado, filhos e «uma mulher surpreendente». O músico sublinha que, embora não seja um filme, o disco se pretende quase cinematográfico: uma história cantada com princípio, meio e fim.
Colaboração ibérica e calendário
A escolha de María Berasarte para partilhar a nova leitura de «Quando Nós Formos Velhinhos» não é fortuita: a vocalista galega já tem ligações artísticas a Portugal e será também uma das vozes associadas a uma das personagens que surgem no novo relato musical.
O Coreto 2 tem edição prevista para o início de 2027 e a digressão que acompanhará o lançamento arranca em maio, no Teatro Maria Matos, em Lisboa. A estratégia de avanço com um single regravado mostra uma preocupação em conservar a memória afetiva do público, ao mesmo tempo que se introduzem elementos que prometem renovar a escuta.
| Item | Informação |
|---|---|
| Primeiro single | «Quando Nós Formos Velhinhos» (dueto com María Berasarte) |
| Lançamento de O Coreto 2 | Início de 2027 |
| Concerto de arranque | Maio de 2027 — Teatro Maria Matos, Lisboa |
Continuidade temática e ambição narrativa
O anúncio confirma que Charraz mantém uma abordagem que ultrapassa a mera colecção de canções: o projecto original, O Coreto, ficou marcado por uma música capaz de gerar afecto e memória coletiva — como se viu no vídeo de 2021 que juntou Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz e que ainda hoje é referenciado pelo autor como um momento emotivo. A nova edição procura, portanto, respeitar esse legado enquanto o desloca ao introduzir «novos acontecimentos e personagens».
- O disco promete uma continuidade narrativa: enredo com princípio, meio e fim.
- A colaboração com María Berasarte reforça os laços culturais entre Portugal e Galiza.
- A digressão arranca em Lisboa, sublinhando a centralidade da capital no projecto.
Para o público que acompanhou o primeiro volume, a proposta conjuga a familiaridade de temas já enraizados com a curiosidade despertada por reviravoltas previstas no texto musical. Ao transformar um tema já conhecido em dueto e ao anunciar episódios dramáticos no novo alinhamento, Charraz desafia a recepção imediata: convida a uma escuta atenta, à procura dos fios narrativos que ligarão as duas partes do projecto.
Resta aguardar agora a publicação integral de O Coreto 2 e o desenrolar da digressão para perceber até que ponto as escolhas estéticas e narrativas se refletirão na recepção crítica e no público que, desde o primeiro disco, participa das histórias que o músico constrói em palco.