O fonoaudiólogo Alan Malcher alertou nesta segunda-feira sobre uma observação clínica: a incidência de acidente vascular cerebral (AVC) em idosos aumenta no Amapá durante o período mais quente do ano, que vai de agosto a novembro. A declaração foi dada no programa "LuizMeloEntrevista", veiculado pela Rádio Diário FM.
Por que o calor afeta os idosos
Segundo o profissional, o envelhecimento reduz a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal e diminui a percepção de sede, fatores que tornam os idosos mais susceptíveis à desidratação e ao estresse térmico. A perda excessiva de líquidos por meio do suor pode reduzir o volume sanguíneo, provocar alterações na pressão arterial e comprometer a circulação, desencadeando eventos cerebrovasculares em pessoas predispostas.
Malcher ressaltou que o calor atua como um fator desencadeante e não como causa isolada. A relação entre temperatura e AVC depende de condições individuais — como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, histórico prévio de AVC — e também de fatores ambientais e do uso de medicamentos.
Tipos de AVC e fatores associados
| Tipo de AVC | Característica | Fatores associados |
|---|---|---|
| Isquêmico | Obstrução de artéria cerebral | Aterosclerose, coágulos, desidratação |
| Hemorrágico | Rompimento de vaso sanguíneo | Hipertensão descontrolada, malformações vasculares |
O fonoaudiólogo destacou que, no caso do AVC hemorrágico, a hipertensão arterial mal controlada é uma causa frequente. Já o AVC isquêmico tem relação com obstruções que podem ser influenciadas por alterações do volume sanguíneo e da pressão arterial.
Orientações práticas para evitar descompensações
Para reduzir o risco de AVC no grupo de maior vulnerabilidade, Malcher recomendou medidas simples e de aplicação imediata no cotidiano dos idosos:
- Hidratação adequada: manter consumo regular de líquidos durante o dia;
- Evitar exposição ao sol nos horários de pico e permanecer em ambientes frescos ou ventilados;
- Acompanhamento médico regular da pressão arterial e do diabetes;
- Revisão de medicação: avaliar, com profissionais de saúde, possíveis efeitos que possam interferir na regulação hídrica ou na pressão;
- Orientação personalizada para pessoas com restrição hídrica por doenças cardíacas ou renais.
“Pessoas com restrição de líquidos por doenças cardíacas ou renais devem seguir orientação individualizada”
O especialista reforçou que pacientes com limitações para a ingestão de líquidos precisam de acompanhamento médico individualizado para equilibrar riscos e benefícios, evitando tanto a desidratação quanto a sobrecarga hídrica.
Contexto regional e atenção ampliada
Malcher observou ainda que a posição geográfica do Amapá, próxima à Linha do Equador, não determina por si só o risco de AVC, mas as características climáticas regionais exigem atenção especial à saúde dos idosos. A combinação de altas temperaturas, umidade e condições sociais — como acesso restrito a climatização e cuidados de saúde — pode intensificar o impacto sobre a população mais velha.
Profissionais de saúde da atenção básica e familiares são apontados como peças-chave para identificação precoce de sinais de desidratação e descompensação de doenças crônicas. Sinais de alerta para procurar atendimento médico imediato incluem fraqueza súbita, dificuldade para falar, perda de coordenação e dor de cabeça intensa.
Enquanto não há números oficiais divulgados na entrevista, a recomendação é redobrar cuidados individuais e comunitários nos meses mais quentes. Programas de vigilância em unidades de saúde e campanhas educativas sobre hidratação e controle de pressão arterial podem contribuir para reduzir a ocorrência de complicações cerebrais associadas a variações térmicas.
A cadeia de cuidados envolve médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e a rede familiar. Medidas preventivas simples, aplicadas de forma contínua, são fundamentais para mitigar riscos e preservar a autonomia e a qualidade de vida dos idosos no estado.