A Promotoria de Justiça de Mato Grosso, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira a operação batizada de Cathedra Venalis, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em localidades da região metropolitana de Cuiabá. Segundo as informações iniciais, a ação envolveu atuação em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Alvos e alcance da ação
Fontes ligadas às investigações informaram que a operação mobilizou mais de 200 policiais e que foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão. Entre os investigados estariam vereadores de câmaras municipais da região: 13 de Várzea Grande e 2 de Cuiabá.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Mandados de busca e apreensão | 30 |
| Policiais mobilizados | Mais de 200 |
| Vereadores investigados (Várzea Grande) | 13 |
| Vereadores investigados (Cuiabá) | 2 |
Abordagem policial e investigação sobre a Mesa Diretora
Reportagens locais apontaram que o início da operação teria relação com uma abordagem da Polícia Militar a dois vereadores de Cuiabá realizada em Várzea Grande, no contexto das discussões sobre a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Os nomes citados como alvos da ação em Cuiabá são Ilde Taques, eleito recentemente presidente da Câmara de Cuiabá, e Alex Rodrigues.
- A investigação busca apurar possível atuação de organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
- Há foco em supostas irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
- Informações iniciais sobre apreensão de valores durante a abordagem foram divulgadas, mas negadas pelos envolvidos.
Fontes oficiais do Ministério Público de Mato Grosso ainda não confirmaram todas as informações divulgadas na imprensa. O processo que tramita sobre a operação corre sob sigilo, segundo relatos, o que limita o acesso a detalhes do inquérito nesta fase.
"Não tem qualquer relação com articulações políticas, muito menos ilegais",
disse, em nota assinada pelo advogado Eduardo Mahon, o vereador Ilde Taques. A defesa afirmou ainda que Taques colaborou com as autoridades e que nada foi encontrado que o relacione a atividades irregulares — declaração que, conforme apurado, não foi confirmada pelo MPMT. A nota da defesa não fez referência à abordagem policial mencionada em relatos preliminares.
Repercussões e desdobramentos locais
A deflagração da Cathedra Venalis elevou a atenção sobre a atuação dos poderes locais, em especial sobre procedimentos relacionados à formação de mesas diretoras nas câmaras municipais. A operação também reforça o papel do Gaeco na investigação de supostas fraudes e desvios envolvendo agentes públicos na região.
Embora ainda haja informações desencontradas sobre detalhes operacionais — como eventuais apreensões de valores durante abordagens —, autoridades e membros da defesa se mantêm comunicando versões distintas. Procurada, a Promotoria não divulgou nota com esclarecimentos além dos mandados cumpridos, preservando o caráter sigiloso do processo.
Novos desdobramentos e eventuais medidas cautelares ou denúncias dependerão do resultado das apurações em curso. A população de Cuiabá e dos municípios vizinhos acompanha a operação, que toca diretamente na confiança sobre a gestão municipal e nos mecanismos de fiscalização interna das câmaras.